| Entrevista para o programa Atitude.com da Rede Minas | |
Conheça um pouco mais das história e das idéias Nono Ossísticas através desta entrevista feita por Leandro Lopes.
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A história do NONO OSSO tem início no final de 1999, quando quatro músicos remanescentes da banda Linhas Gerais ( Alberto De Conti, Bruno Coimbra, Guilherme Vincens e Pau-Lin Batera) convidaram Guto Temponi e Juliana Brandão para formar um grupo musical com a proposta de desenvolver um trabalho alheio a rótulos e de características únicas, amparado em novas versões para clássicos consagrados da música brasileira e em composições originais. Entre 2000 e 2001, o NONO OSSO participou ativamente do circuito universitário, tocando em diversos eventos promovidos por alunos da UFMG e da PUC e se apresentando com sucesso no Festival de Inverno de Ouro Preto. Além disso, freqüentes shows em casas noturnas de Belo Horizonte ajudaram a consolidar o nome do NONO OSSO como uma banda de invenção, com proposta diferenciada. Em novembro de 2001, concorrendo com a faixa homônima, o NONO OSSO se sagrou campeão do FENAMUSIC, festival de âmbito nacional em que concorreram aproximadamente 500 bandas. Em julho de 2002, o NONO OSSO lançou seu primeiro CD, “Tirando o Pai da Forca”. Este CD contém 5 faixas compostas e arranjadas pelo NONO OSSO, gravadas entre agosto e outubro de 2001: “O Nono Osso”, “Aqui Jazz o Rock”, “Tirando o Pai da Forca”, “Eu Só Quero Ver a Coisa Derreter” e “Sapilesma”. Logo após lançar o CD, que teve ótima resposta de público e crítica, o guitarrista Guilherme Vincens se mudou para os EUA para fazer um mestrado em violão. Este passo marcou a entrada de Serginho Starling na banda, este que vem a ser o guitarrista mais alucinado do oeste. Ainda em 2002, já com a nova formação, o NONO OSSO ficou entre os finalistas da Mostra Cauê de música, concorrendo com a faixa “Tirando o Pai da Forca”. O ano de 2003 marcou a saída de Bruno Coimbra, que se mudou para os EUA para fazer um mestrado em flauta, e de Pau-Lin Batera, que passou a se dedicar à banda Cumbaquê. Com isso, ingressou no NONO OSSO o baterista Danilo Temponi, sendo a vaga deixada por Bruno suprida por diferentes músicos a cada show. A partir de então, foi constituído um período interessante para a banda, que teve oportunidade de trabalhar com trompetistas, trombonistas, percussionistas e flautistas oriundos de diferentes escolas e com bagagem diversa. Esta experiência foi de grande valia por ampliar os horizontes sonoros do NONO OSSO. Em 2004, já com novos guitarrista e baterista, o NONO OSSO foi uma das bandas vencedoras do Projeto Conexão Telemig Celular, tendo duas músicas incluídas no CD oficial do projeto. A música campeã foi “Tirando o Pai da Forca”, faixa título do primeiro CD, acompanhada de “Sorriso Amarelo”, até então inédita. No final do ano, foi realizada a pré-produção daquele que viria a ser seu novo disco, “Desatando Nós”, que acabou por ser lançado em novembro de 2005, após um ano de árduo trabalho, contando com 12 composições inéditas e 2 arranjos originais de "O Mundo", de André Abujamra, e "Cachorra", de Maurício Pereira. E, quem diria, estamos aí em pleno 2006!!!
Somos: Juliana Brandão, psicóloga e cantora; Guto Temponi, médico, cantor e toca violão; Serginho Starling, físico e guitarrista; Alberto De Conti, engenheiro e baixista e Danilo Temponi, dono de bar e baterista.
De um modo geral, penso que escolhemos as duas ocupações por gostarmos de ambas, não dando nem pra definir qual é a primeira e qual é a segunda profissão... E devemos continuar exercendo as duas, enquanto isso for possível, porque sabemos que se a música nos levar “mais longe” teremos que optar, porque será impossível conciliar uma agenda artística muito cheia de viagens e shows com a agenda de “gente normal”.
Nada é planejado em termos de quem fará o quê. Quem fez, fez, e se a turma toda aprova, é aquilo que vinga. Às vezes um faz uma letra e oferece a outro. De outra vez, alguém traz uma música ou um pedaço de música e os outros vão fazendo a letra e outras partes de melodia e, de vez em quando, alguém faz tudo (música e letra) e os outros só bolam o arranjo junto.
Esse nome esquisito surgiu após a sugestão de um amigo, que comentou conosco que o nono osso do rabo do gato é considerado um amuleto de sorte dos bons em algum lugar do mundo (só não me pergunte qual!). Além disso, nos atraiu a idéia do duplo sentido embutido no nome, tanto é que nosso símbolo é um nó em um osso. Sempre que nos perguntam como nos chamamos, brincamos com as sonoridades de NONO OSSO e NÓ-NO-OSSO!!!
Pelo amor de Deus! Não fazemos apologia a maus tratos a animais!!! Longe disso, gostamos deles e os tratamos bem! O primeiro cd tem até uma nota de rodapé que diz isso. Porém, como o nono osso nosso é justamente o do rabo do gato, a letra saiu assim, “carnificida”...
É... pois é... se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...
Ter um rótulo pode significar ficar preso a algo, um estilo, um ritmo, um tipo de som apenas. E não queremos nada disso. Queremos ser livres com a nossa música! E podermos mudar, mesclar, transformar.
Temos pontos em comum com os tropicalistas, até porque fazem parte de nossas influências musicais, mas isso já seria um rótulo também...Além disto, em nosso shows só tocamos músicas em português, o que nos torna bem nacionalistas...por enquanto!
Acho que já falamos isso na resposta á pergunta número quatro...mas a resposta pode ser mais completa se dissermos que discutimos muuuuuuuuuuito pra chegarmos a um consenso de como será a música!
A lista é interminável: Mutantes, Zappa, Karnak, Roberto Carlos, Arrigo Barnabé, Novos Baianos, Bjork, Plunct Plact Zum e demais musicais infantis, Marisa Monte, Beatles, Blitz, Toni Tornado, Ratos de Porão, Edu Lobo, King Crimson, Funkadelic, Secos e Molhados, Elis, Stereolab, Zumbi do Mato, Cream, Gil, Led Zepellin, Bártok, Celly Campelo, etc. etc. etc. e etc. também.
“Marvada Vida” faz de fato uma contundente e irônica crítica àqueles que abusam da inocência alheia através da exploração da fé. A combinação de estilos musicais nela presente (hardcore x sertão) traça um imediato paralelo entre os binômios urbano/rural, explorador/explorado, ricos/pobres, espertos/inocentes, que são elementos vivos em nosso dia-a-dia. Além disso, trombone, trompete e um coro à la Tim Tones antecedendo o refrão dão um certo ar de zombaria à música, misturando trágico e cômico de forma um tanto cruel.
Hoje vivemos em um mundo de constantes avanços tecnológicos, onde o consumismo está sempre em primeiro lugar e onde existe uma crescente demanda por informação. Nada é simples como outrora e você mal aprendeu uma coisa nova e já existe a versão 2.0 daquilo. Acho que fica difícil avaliar agora se todas estas mudanças em nosso dia a dia serão para o bem ou para o mal, pois falta distanciamento. Se isto é bom ou ruim...
Acho que o primeiro disco conta com um lado mais experimental, mais maluco... Parece que, como tínhamos apenas quatro músicas para trabalhar, depositamos todo nosso arsenal criativo em seus arranjos. A faixa "Tirando o Pai da Forca" é um exemplo claro disso, pois une uma bossa nova classuda à la Tom Jobim com um punk podre tipo Ratos de Porão e uma sessão palhaçada com influência de desenhos animados e Alice no País das Maravilhas. Em nosso novo trabalho, diferentemente do primeiro disco, talvez por contarmos com mais músicas e por termos amadurecido um pouco mais a visão do que queremos para nosso som, optamos por sermos mais fiéis à característica original das composições. Assim, se uma música despontava naturalmente como uma canção mais séria ou uma balada (como "Desatando Nós", "Vida de Autor", "Exposto ao Tempo", etc.), esta característica foi preservada ao máximo, sem que colocássemos elementos a elas estranhos. Como se quiséssemos fazer de cada uma delas "a música mais bonita do mundo". Por outro lado, se uma música despontava com uma visão bem humorada ou maluca, esta característica foi explorada ao máximo, como no caso de "Geringonça", "Marvada Vida" e "Cachorra".
Acho que ‘eu só quero ver a coisa derreter’ tem um pouco a ver com aquela história do circo pegando fogo, de a gente estar aqui para confundir, e não para explicar, como dizia Chacrinha. Analisando em retrospecto, vendo tudo o que fizemos desde o início do NONO OSSO, acho que esta frase resume muito bem nossa proposta: fundir, reciclar, transformar, criar. Com fogo ou não. |
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